terça-feira, 1 de novembro de 2011

5 - Como minha vidinha normal se transformou nesta loucura?


Bom foi realizado a tal reunião no ICESP onde foi decidido que melhor para minha mãe era ir para o recanto São Camilo, sim foi contra a minha vontade, mas como filha não tive muita opinião, engraçado né eu sei, eu como filha não pude dar opinião.

A minha vida já era casa, hospital, hospital, casa... Todo momento que eu pude eu estava lá com ela e meu pai. Sabe ela continuava da mesma forma que em casa, rude e ao mesmo tempo carinhosa. Essa é minha mãe, simplesmente surpreendente, no sábado dia 8/10 voltei a trabalhar e em seguida fui visita-lá, mas ela estava diferente, não sei dizer como, mas era diferente, durante a tarde ela começou a sentir muita dor, e a gritar demais, chamei a enfermeira que veio socorrê-la logo, ela gritava tanto que doía em mim, jamais vou esquecer o que ela me disse: “Filha cuida de tudo, eu to morrendo, eu vou morre!"

Aquelas palavras entraram no meu ouvido e foram direto ao coração, Agente só descobre que Pai e Mãe não são pra sempre da pior forma. Naquele domingo passei o dia todo com ela e com a minha priminha... Nossa cuidar de uma criança de três anos cansa mais que cuidar da minha mãe.

Na segunda feira passei a manha com ela e fui trabalhar, mas ela só dormia mal falou comigo, na terça veio a noticia que eu não queria ouvir... Minha mãe iria morar no Recanto São Camilo a partir daquela data, não a vi naquela terça feira dia 11 e isso começou a me matar...

No dia 12 minha folga sai correndo e fui logo de manhã vê-la, mas ela não estava bem, não estava falando com ninguém, não por que não podia, mas porque não queria...

Ela ficou muito chateada por estar ali... Chorou quando chegou, pois achou que iria pra casa, o que mais doeu naquele dia foi saber que ela estava achando que a gente tinha colocado ela lá... Ela disse me colocaram aqui pra morrer e isso quase me matou de verdade... Tava ali naquela cama a mulher que me criou a mulher que me ensinou tudo que sei hoje e que me ensinou a descobrir meus princípios...

Quando voltei ao quarto ela estava dormindo eu acho, e eu disse bem pertinho dela e do fundo do meu coração: “Mãe Te amo! e se dependesse de mim você estaria em casa com a gente, mas juro que vou fazer de tudo pra tentar te tirar daqui, e volta à conversa com o meu pai essa historia de não falar com a gente esta nós matando... e Nenhum de nós três escolheu te colocar aqui." Se ela ouviu? Não sei, mas eu disse o que achava que tinha que dizer...

Chorei tanto naquela quarta-feira, pois eu já não poderia ver minha mãe todos os dias. Pois seriam 4 horas de condução para ir até lá de trem e eu tinha voltado a trabalhar.

Senti-me tão mal. Pra mim eu tinha a obrigação de ao menos tentar tirá-la de lá, foi que comecei a ter idéias absurdas e correr atrás delas, na quinta de noite meu pai pediu para que eu e a minha irmã fossemos até a clínica, pois a assistente social queria conversar conosco, foi então que imprimi varias fotos e levei, levei ate um porta-retrato, queria a que a minha mãe se sentisse o mais confortável possível. E que não esquecesse que mesmo eu não podendo ir vê-la todos os dias ela estava em meus pensamentos, orações e coração.

Na sexta fui até clinica, minha mãe estava falando e até conversou comigo isso me deu mais força pra tentar tira-la de lá. Tá que não se entendia nada do que ela falava, mas o fato de ela estar tentando pra mim já era tudo! Jamais vou me esquecer dela sorrindo e mandando minha irmã buscar a sopa.

Mas então eu havia ido até lá para falar com a assistente social de lá né, ela foi um encanto e me disse varias verdades, eu disse a ela que sentia como se eu estivesse abandonando minha mãe, ela disse que não sei o que é abandonar e que tem vários pacientes lá os quais os parentes só foram no dia da internação e não era o caso da minha mãe, pois meu pai não saia de lá, e não era só porque eu não posso ir todo dia que há abandonei. Ela também me disse que se eu trouxesse minha mãe para casa estaria tão preocupada em cuidar dela, dar remédio e alimentá-la que não conseguiria dar amor. Pois estaria exausta e que lá no NACE eu só iria para dar carinho e amor a ela, foi então que ela me deu a possibilidade de trazer minha mãe para passar o final de semana em casa.

A conversa foi muito boa, mas mesmo assim queria minha mãe perto de mim, pois sabia que estava acabando.  Fui embora e disse a ela que voltaria no dia seguinte!







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